quarta-feira, 22 de abril de 2009

Fonte


Duchamp elaborou os "ready-made", objetos do cotidiano já prontos, os quais acrescentava detalhes e títulos aleatórios.A obra mais famosa é a "Fonte", mictório de louça enviado a uma exposição em Nova York e recusado pelo comitê de seleção.

O grande vidro


Pintura a óleo sobre uma placa de vidro duplo dividido em duas seções. A parte superior chamou de "A noiva desnudada pelos seus celibatários, mesmo"; e a inferior, "Moinho de chocolate".

O Dadaísmo


Negando todas as tradições sociais e artísticas, o movimento Dadaísta originado em 1915 em plena Primeira Grande Guerra Mundial, em Zurique, tinha como objetivo a tentativa de chocar o público mais tradicional da época e libertar a imaginação a partir da destruição das noções artísticas convencionais.
O período, apesar da sua curta duração e das críticas realizadas ao movimento, teve grande importância para a arte do século XX. Fez parte de um processo de libertação da arte e procura de experiências e formas expressivas mais apropriadas à expressão do homem moderno e da sua vida.
As principais características do movimento Dadaísta que podemos destacar são:
- Oposição a qualquer tipo de equilíbrio;
- Combinação do pessimismo irônico e ingenuidade radical;
- Cepticismo absoluto e improvisação;
- Realçou o ilógico e o absurdo;
- Aparente falta de sentido, protestava contra a loucura da guerra;
- A sua principal estratégia era denuncias e escandalizar;
- Negação, o Niilismo, foi tão intenso que os artistas negavam até a si próprio;
O Dadaísmo teve uma repercussão em diversos países, mas de certa forma em cada um teve seu auge, sendo no social ou na arte, como por exemplo na Alemanha que ficou mais próximo ao protesto social do que movimento artístico.
Dentre muitos artistas, podemos destacar alguns que tiveram mais importância no movimento como: Marcel Duchamp (1887 – 1968), François Picabia (1879 – 1953), Max Ernest (1891 – 1976).
O movimento Dadaísta teve seu reflexo não só na pintura, mas como também escultura, na fotografia, no cinema, entre outras maneiras de produzir arte.

Contexto histórico:

- Em 1929, Crise da bolsa de NY;
-Iniciando em 1920 o elevado e descontrolado aumento na safra do café causa a crise do café em 1929;
-Getulio Vargas sobe ao poder em 1930;
-A partir de 1937 e declarado por Getulio Vargas o período conhecido como Estado Novo;
- A Política do Café-com-leite. Entre 1889 e 1930, período da Primeira República o país adotou uma constituição liberal;
-Período de guerras, desde a guerras regionais até a primeira grande guerra mundial;
-1911-1912 suas obras "O rei e a rainha cercados de nus" e "Nu descendo uma escada" período em após liderar uma rebelião contra o ditador Porfírio Diaz, Francisco Madero é eleito presidente do México. A vitória do liberal deu início à Revolução Mexicana, primeira revolta popular do século XX;
-1913-1915 Duchamp elabora os "ready-made", ano em que Charles Chaplin inicia a sua carreira de ator cinematográfico com o filme “Making a Living”, de Mark Sennett.
E nasce o general chileno Augusto Pinochet, ditador chileno;
-1915 e 1923 o artista dedicou-se à sua obra principal, "O grande vidro", entre esses anos ocorre a construção do canal do Panamá, na América Central para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico. Liderados por Vladimir Lenin, os bolcheviques tomam o poder na Rússia e derrubam o governo provisório de Alexander Kerensky. A KDKA, de Pittsburg vai ao ar como a primeira rádio comercial do mundo. Nasce Charles Bronson, ator norte-americano.

Um pouco do artista.


Artista francês, Marcel Duchamp nasceu em Blainville, França, no dia 28 de julho de 1887, e morreu em Nova York, EUA, em 2 de outubro de 1968. Irmão do pintor Jacques Villon (Gastón Duchamp) e do escultor Raymond Duchamp-Villon. Freqüentou em Paris a Academie Julian, onde pinta quadros impressionistas, segundo ele, "só para ver como eles faziam isso".
Em 1911-1912 suas obras "O rei e a rainha cercados de nus" e "Nu descendo uma escada" estão na confluência entre o Cubismo e o Futurismo. São quadros simultaneistas, análises do espaço e do movimento. Mas já se destacam pelos títulos, que Duchamp pretende incorporar ao espaço mental da obra.
Entre 1913-1915 elabora os "ready-made", isto é, objetos encontrados já prontos, às vezes acrescentando detalhes, outras vezes atribuindo-lhes títulos arbitrários. O caso mais célebre é o de "Fonte", urinol de louça enviado a uma exposição em Nova York e recusado pelo comitê de seleção. Os títulos são sugestivos ou irônicos, como "Um ruído secreto" ou "Farmácia". Detalhe acrescentado em um "ready-made" célebre: uma reprodução da Gioconda, de Leonardo da Vinci, com barbicha e bigodes.
Entre 1915 e 1923 o artista dedicou-se à sua obra principal, "O grande vidro", pintura a óleo sobre uma placa de vidro duplo dividido em duas seções. A parte superior chamou de "A noiva desnudada pelos seus celibatários, mesmo"; e a inferior, "Moinho de chocolate". Toda a obra é um pseudomaquinismo: a "noiva" é um aparato mecânico, assim como os "celibatários". Contendo vários níveis de significação, várias hipóteses foram formuladas pela crítica para descobrir o sentido de sua complicada mitologia.
Após "O grande vidro", Duchamp dedicou-se aos mecanismos ópticos - que chamou de "rotorrelevos". Em 1941 executa uma "caixa-maleta", contendo modelos reduzidos de suas obras, e, em 1943, a "Caixa verde", contendo fotos, desenhos, cálculos e notas. A partir de 1957 vive em Nova York, dedicando-se à sua paixão pelo jogo de xadrez. Seu silêncio parece uma redução da capacidade inventiva, mas após sua morte descobre-se que o artista estivera trabalhando secretamente na construção de um "ambiente": um quarto fechado onde repousa uma figura em cera, cercada de vegetações. O ambiente só pode ser visto, por determinação do artista, por um orifício da porta.

Curiosidades de Duchamp


- Rrose Sélavy, ou Rose Sélavy, era um dos pseudônimos Marcel Duchamp.
Sélavy surgiu em 1921 em uma série de fotografias tirados por Man Ray de Duchamp vestido como mulher. Durante os anos 20 Man Ray e Duchamp realizaram mais fotos no tema Sélavy.

-Entre os mais famosos e irônicos, podemos citar a obra L.H.O.O.Q. (sigla que, lida em francês, assemelha-se ao som da frase “Elle a chaud au cul”, que, traduzida para o português, significa “Ela tem fogo no rabo”), que é uma reprodução da Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, com um bigodinho.


- Até a época em que morreu, somente uma obra de Duchamp havia entrado para uma coleção pública na França, e até os anos 60, se alguém mencionasse seu nome nos círculos de arte de Paris, a maioria das pessoas imaginaria que se estivesse falando do escultor Raymond Duchamp-Villon, seu irmão.

- Quatro de seus seis filhos se tornaram artistas e não médicos ou advogados, ou cargos mais altos na sociedade que lhe trouxessem uma melhor condição, diferente da que Duchamp teve em sua infância.


- A notável influência de Duchamp é vista aqui no Brasil em obras da Bienal como a do artista Marepe, em que trouxe um muro para a exposição.

- A partir de 1957 vive em Nova York, dedicando-se à sua paixão pelo jogo de xadrez.

Marketeiro ou Artista?


Marcel Duchamp foi um artista que questionou através de seu trabalho o que é arte e criou um novo modo para a sua realização, ou seja, obtinha as idéias que não eram tomadas em relação ao cotidiano como a maioria dos artistas de sua época.
Em pleno contexto de guerra, Duchamp, assim como todos os dadaístas, estavam cansados de realizar em suas obras apenas cenas do cotidiano, não se importando com o mundo em questão, então resolveu modificar isto.
É nesse contexto que anos e anos de discussões estão inseridos. Uma vez que um simples mictório, denominado pelo artista como A Fonte, é colocado em uma exposição da época, é tomado por Duchamp como arte, mas com isso vieram as diversas formas de críticas da maioria dos artista da sua época e de muitas pessoas até os dias de hoje, tentando entender o porque daquele simples objeto ser considerado uma obra de arte. Com isso e com outras obras com o mesmo sentido, com um aspecto inusitado, que Duchamp estipula que esse tipo de arte são as Ready Mades, modelo artístico que causou muita polemica.
Marcel Duchamp, precursor das obras contemporâneas, produziu diversas composições que literalmente deixaram especialistas e outros artistas com uma “pulga atrás da orelha” se perguntando: - isso é uma obra de arte mesmo? Mas Marcel conseguiu o que pretendia, que foi colocar nas cabeças das pessoas um questionamento, uma discussão. De fato Duchamp tinha as suas próprias questões, como o estudo dos problemas óticos. O estudo do olhar sobre a arte interessou muito o artista, que se opunha aquilo que ele chamava de “arte retiniana”, ou seja, que agradava a vista, que era realizada para não incomodar, e sim para satisfazer. É nesse aspecto que o esforço do Duchamp foi no sentido oposto, de levar o público a refletir a partir da confrontação com algo novo e inesperado, em outras palavras o objetivo de Duchamp era tratar com a anti-arte, ir na contra-mão do que as pessoas estavam acostumadas a observar, a considerar como arte.
Por isso e outras coisas que a maioria das pessoas que estudam, admiram, ou apenas gostam de arte dizem que Marcel Duchamp foi um humorista da arte, principalmente quando em um dos principais Ready Mades denominado por ele como L.H.O.O.Q, em que Duchamp fez um bigode em umas das obras de arte mais importante de todos os tempos que foi na Mona Lise de Leonardo Da Vinci, e com o seu objetivo em todas as suas obras, fez com que mudasse o conceito da obra original, ocasionando um incomodo nas pessoas que olhavam para a obra.
Esses gestos simples, mas impensados até então, fez com que o mundo se visse diante de duas reflexões extremamente importantes para a arte contemporânea: o que faz com que consideremos um objeto arte? Qual a importância do gesto do artista na obra de arte? De certa forma podemos perceber que os objetivos que Duchamp tinha foram alcançados pois até os mais leigos no assunto ficam questionando, tentando entender o porquê de o artista ter feito aquilo.
Duchamp conseguiu durante muito tempo ser assunto de discussões e na sua época ficou em evidência por causa de suas obras, e de suas modificações diante obras de outros artistas, com isso podemos dizer que ele foi um marketeiro de muita qualidade, sendo que fazendo coisas que para época eram incomuns e caminhavam totalmente na contra mão das tendências, conseguiu o total sucesso e muita fama pelo seus atos, mesmo que o que falavam e falam dele, nem tudo são coisas boas, mas como diz o ditado: “Falem mal,mas falem de mim”. Ou seja, como um excelente artista, Marcel Duchamp foi um digno marketeiro.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

CQC - 60 anos de MAM com expo de Marcel Duchamp




Com humor inteligente, audacioso e muitas vezes ácido, o programa faz um resumo semanal das notícias, e nessa varredura dos fatos importantes, sob o olhar atento do CQC (Custe o que custar), as obras de Duchamp não escaparam.


http://www.youtube.com/watch?v=nitDKWU30bo

quarta-feira, 15 de abril de 2009